sexta-feira, 13 de maio de 2016

Crônicas assombradas
Uma pessoa, uma assombração ou a minha imaginação
Por: Priscila Gorzoni



A nossa mente pode inventar muitas coisas.

Mas tem horas que você tem certeza que viu algo.

Isso aconteceu comigo recentemente. E vou ser sincera foi a situação mais estranha que senti na vida. Estou até agora tentando compreender o que vi e se realmente vi.

Eu tive que fechar e abrir os olhos várias vezes porque o que vi não tinha explicação.

E não é comum eu ter imaginações.

Mas vou contar o que aconteceu.

Há dois anos escrevo um livro reportagem.

O livro já está praticamente finalizado e para ele tive que fazer muitas entrevistas, mais de 20.

O meu livro fala de enigmas.

O meu livro me exigiu um mergulho no tema, mergulho que iniciei há dois anos.

Para fazer o livro não faço apenas as entrevistas, fotos e filmagens mas fico nos ambientes durante um tempo. É um trabalho de campo, em antropologia chamamos isso de etnografia.

Esse meu trabalho me fez ver os mistérios e enigmas de uma forma diferente da que eu via antes. Desconstrui o tema, passei a ter menos medo e a ficar menos impressionada.

Mas ainda me assusto com algumas coisas, entre elas o acontecimento que relato agora nesse texto.

Era mais um dia comum de entrevistas. Marquei várias entrevistas para o mesmo dia, pois escrever um livro exige rapidez nas entrevistas e um volume grande de histórias e narrativas.

Eu então tinha marcado de ir no lugar em que estavam os entrevistados como sempre faço.

Naquele dia, uma tarde normal, fria, mas ainda dia claro eu já estava na terceira entrevista.

Escolheram uma sala sem barulho para eu gravar a entrevista e não prejudicar o som. O entrevistado então sentou-se ao meu lado e de onde eu estava era possível ver o corredor e uma das salas.

Já era a terceira vez que eu entrevistava as pessoas naquele local então já estava acostumada. Nas duas vezes em que estive lá tudo correu tranquilamente e ouvi algumas histórias que me deixaram pensativa. Algumas histórias misteriosas, mas como sou razoavelmente cética fiquei em dúvida. Depois de um tempo fazendo entrevistas do assunto você passa a ouvir essas histórias com uma certa naturalidade e o papel do jornalista, do antropólogo não é acreditar ou duvidar, mas acolher a história e registrá-la. Embora eu seja cética se me perguntarem se acredito ou não nas histórias que eu ouço, eu diria que acredito sim. Porque as narrativas são muito lúcidas e reais em detalhes. E como diria aquele velho provérbio popular há mais coisas no céu e na terra que a nossa vã filosofia não dá conta de explicar.  

Mas não posso pensar muito no meu medo nessas horas. O medo tem que ser um combustível para mim.

Peguei o gravador e comecei a entrevista.

Já havia passado uma hora de entrevista e a conversa transcorria tranquilamente.

No local estavam só eu e o entrevistado. Os outros funcionários todos haviam ido embora, não havia ninguém no local.

Foi então que do outro lado, na entrada de uma das salas vi uma pessoa, parecia uma mulher vestindo uniforme, olhando para mim e entrando na sala. 

Eu vi.

Inicialmente achei que era uma funcionária, mas não havia mais ninguém no prédio.

E depois olhando com mais tranquilidade a sala, ela estava vazia e fechada. 

O mais estranho é que eu não conseguia definir ao certo se era uma mulher ou homem, mas me lembro de que tinha um cabelo escuro, meio enrolado, usava um uniforme, tinha estatura média e me olhou um pouco de longe. A pessoa parou na porta da sala e sumiu lá dentro.

Na hora eu não me assustei porque imaginei que fosse algum funcionário. Fora isso eu estava entrevistando, envolvida na narração do entrevistado que nem prestei realmente atenção ao que acontecia.

Só fui ligar as coisas depois, quando a entrevista tinha terminado e vi que a sala estava vazia e fechada.

E agora penso o que seria aquilo que vi.

Não sei, mas era real, eu havia visto.

Depois que a entrevista acabou fiquei esperando o próximo entrevistado que chegaria um pouco mais tarde.

Não demorou muito e ele chegou.

Fomos os dois para a mesma sala fazer a entrevista.

Antes de entrarmos na sala a porta se fechou com toda a força e agressividade possível.

Me assustei.

O entrevistado falou que não era para eu ter medo porque era comum as portas se fecharem assim, sozinhas ali.

Pensei, seja o que for tenho que continuar as entrevistas.

Fiz a entrevista tranquilamente, não vi mais nada no corredor, seja o que for havia ido embora. Ainda bem.

Terminei o trabalho, pedi proteção e voltei para casa.

Antes de descer as escadas da saída, olhei para trás, para o corredor, a sala. O vazio e o silêncio agora tomavam conta delas.

 Lá fora a vida continuava.


Quando sai do prédio era como se tivesse entrando em um outro mundo, o mundo real.

Mas nunca vou saber ao certo se o que vi era uma imaginação minha, ilusão, realidade ou fantasia.

Mas que vi, vi mesmo.


(ESSE TEXTO NÃO PODE SER COPIADO SEM OS DEVIDOS CRÉDITOS DE AUTORIA, CONFORME A LEGISLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS LEI 9610, de 19 de fevereiro de 1998, "Dos Direitos Morais do Autor", Artigo 24, Inciso II. POR FAVOR, NÃO COPIEM, COMPARTILHEM O LINK. OBRIGADA)  


Fonte: O livro das curiosidades de São Caetano do Sul, Priscila Gorzoni









quinta-feira, 12 de maio de 2016

O assombrado Bairro Prosperidade
Por: Priscila Gorzoni




Na década de 1920 o bairro Prosperidade, que naquela época era conhecido como Vila Prosperidade tornou-se famoso pela aparição de um saci. 
Quem viu o tal saci foi Fortunato Brochin que avistou a assombração no meio dos extensos matagais da vila. O Saci era um menino negro, que pulava em um pé só e tinha um cachimbo na boca. 
Para aplacar o seu medo foi preciso chamar Vicente O Curandeiro, que prontamente fez as suas rezas e espantou o menino atrevido de um pé só. 
Mas não eram só sacis que eram vistos na Vila Prosperidade, mas mulas sem cabeças também.
Quem viu a mula sem cabeça foi o cearense José Leite Silva, que depois do susto percebeu que se tratava de uma mula comum.
Real ou não, é possível que muitas assombrações tenham tomado o imaginário dos moradores da São Caetano do Sul da década de 1920.

(ESSE TEXTO NÃO PODE SER COPIADO SEM OS DEVIDOS CRÉDITOS DE AUTORIA, CONFORME A LEGISLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS LEI 9610, de 19 de fevereiro de 1998, "Dos Direitos Morais do Autor", Artigo 24, Inciso II. POR FAVOR, NÃO COPIEM, COMPARTILHEM O LINK. OBRIGADA)  


Fonte: O livro das curiosidades de São Caetano do Sul, Priscila Gorzoni



Fonte:




quarta-feira, 11 de maio de 2016

Série Entrevista com pesquisadores e autores do ABCD
 As histórias das catadoras de lixo do ABCD de José Amilton de Souza
Por: Priscila Gorzoni

Essa é a primeira entrevista de uma série que inauguro no meu blog. Na Série Entrevistas com pesquisadores e autores do ABCD postarei entrevistas com pesquisadores e autores de trabalhos sobre o ABCD. 
Nesse primeiro post eu conto: As histórias das catadoras de lixo do ABCD de José Amilton de Souza. Esse é um belo trabalho de Amilton, que vale a pena ser conhecido e divulgado. 





Nas grandes cidades, vários personagens com os quais cruzamos nas ruas diariamente, nos parecem invisíveis. Eles estão excluídos da história, são quase ´transparentes` e, muitas vezes, sentem o preconceito na pele.

Mas, a função deles, é fundamental e suas histórias, como as nossas, guardam muitas surpresas. Torná-los menos invisíveis não é  tarefa fácil, só um pesquisador com muita sensibilidade e coragem é capaz de fazê-lo. Compreendê-los é costurar a memória coletiva e individual de um grupo social.








Com um olhar humanizado, o Doutor em história social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP, José Amilton de Souza foi a campo e mergulhou no universo de um desses grupos de excluídos: os catadores de lixo.

Amilton publicou, em 2011, o livro “Catadores de lixo, Narrativas de vida, políticas públicas e meio ambiente” no qual retrata histórias de vida, as relações de trabalho dos catadores de lixo da região do ABCD paulista. O autor realiza, em suas 284 páginas, um levantamento sério e profundo a respeito desses profissionais, abordando a vida cotidiana de alguns deles, seus problemas pessoais, o relacionamento pessoal deles, como se sentem, o que os encaminhou para essa atividade e outros assuntos como: migração, questões de saúde, políticas públicas e meio ambiente.

 José Amilton conhece a fundo o assunto, pois desenvolve, paralelamente, trabalhos de pesquisas e Assessorias nas áreas de História: Políticas Públicas, História e Memória Local/Regional e Patrimônio Histórico e Cultural. Atualmente, é professor e Vice-Diretor da Faculdade de História  da UNIFESSPA.

Para falar dessa pesquisa e obra, realizei uma entrevista para o meu blog com José Amilton de Souza

Quando iniciou a pesquisa sobre os catadores de lixo?
José Amilton de Souza: Em 1998. Ela fazia parte do tema de tese do meu doutorado, concluído em outubro de 2004. Durante esse período, aprimorei informações e construí a tese. 



Por que escolheu esse tema?
José Amilton de Souza: Tem a ver com a minha experiência profissional pessoal, fui gestor em planejamento urbano da Prefeitura de Santo André, por seis anos. Nesse tempo, em todas as discussões na esfera institucional, os catadores eram tratados como problemas, do trânsito, por exemplo, e não encarados como sujeitos de uma cidade da qual fazem parte, onde improvisam formas de viver. 

Como foram as pesquisas iniciais? As dificuldades e as descobertas.
José Amilton de Souza: Sobre as dificuldades de trabalhar um tema deste – absolutamente aconteceram, pelo fato de que são trabalhadores itinerantes da cidade. Não se tem espaço físico para encontrá-los. Esse processo de pesquisa e (de colher o) depoimento de catadores, foi a maior dificuldade, porque tinha que se trabalhar à noite, ou no meio-fio. Houve ocasião em que recebi ameaças de sucateiros. É muito diferente de fazer uma pesquisa em um arquivo ou em um ponto estabelecido, como uma casa. De certa forma, ‘atrapalhamos’ o cotidiano dos trabalhadores. Houve também o fato de marcar com o catador e não o encontrar depois, afinal, são assuntos delicados. A pesquisa acaba mexendo em feridas do passado, causa choro, outros se negam a falar.  Com alguns, da periferia, se manteve uma relação de maior confiança. Já os catadores do Centro perderam inclusive vínculos familiares. Tudo isso de certa forma foi mapeado em campo e resultou num grande aprendizado: à medida que os catadores foram fornecendo dados diferentes, adaptou-se o processo de pesquisa, bem diferente de um convencional, com documentos.  

Como fez a triagem dos entrevistados? O que levou em conta? Em que regiões decidiu fazer a pesquisa e por que escolheu essas localidades?
José Amilton de Souza: 60 entrevistas originaram o livro, apesar de nem todas terem entrado. Procurei selecionar por faixa etária, por homens e mulheres, e por regiões da cidade (Santo André) - periferia, centro, bairros, com base em depoimentos dos próprios catadores. Primeiramente a ideia era falar com catadores de uma forma geral. Daí fui percebendo que não conseguiria dar conta, devido à quantidade muito grande de catadores. Antes de Santo André, onde foquei a logística por conhecer melhor a realidade, andei por várias cidades do Brasil, visitei varias cooperativas, em Goiânia, no Sul, em Belém do Pará, para compreender em geral como funciona o sistema de trabalho dos catadores. 

Como fez a abordagem aos entrevistados e como foi isso?
José Amilton de Souza: Em um primeiro momento, a abordagem foi como pesquisador, com perguntas mais focadas, mas não funcionava. A realidade deles mostrou que não seria possível. Com perguntas fechadas e fixas, os catadores só respondiam sim ou não, o que não é interessante para a proposta da pesquisa. Mas, a partir da adoção de propor conversas temáticas, como “fale sobre sua infância; como era o trabalho no campo?”, surgiram grandes diálogos.

Conte alguma curiosidade que aconteceu durante a sua pesquisa de campo?
José Amilton de Souza: Foi o depoimento de catador, na escadaria da matriz de Santo André, a Igreja do Carmo, por volta das 22h. Ele me contou que era metalúrgico e havia sido demitido da Volkswagen. Naquela noite, ele estava com o macacão da empresa, e disse que todo dia fazia isso: vestia o uniforme antes de voltar para sua casa, na Zona Leste paulista, porque tinha medo que a família descobrisse sua nova condição, e não o aceitasse como catador. Em outro caso, um catador contou que veio do interior de Minas Gerais, e ao rememorar, começou a chorar. Trabalhar com depoimentos mexe muito com passado dos entrevistados, em feridas, o que traz uma situação bastante complicada.
Outra história, no Centro da cidade, ocorreu na principal rua de comércio, o calçadão. Lá - na época - havia um sucateiro que controlava o local. Ele era muito articulado com os comerciantes, mas não gostava de visitas.  Em uma noite – o local só permitia a coleta de material depois do fim do expediente comercial – dois garotões apareceram para mim mostrando armas sob as camisetas. 

Como foi a sua experiência de campo?
José Amilton de Souza: Um processo de grande aprendizado. Nele se percebe como a cidade não vê os catadores como sujeitos, embora eles façam tanto parte dela quanto qualquer outra pessoa. Hoje já é um pouco diferente, melhorou um pouco. A experiência de campo tem uma riqueza imensa, experiências com as histórias de vida, com emoção, valores e, ao mesmo tempo, reúne tensão e conflito. Parece que “a olho nu”, não conseguimos ver. É uma experiência que não se aprende em cursos. 

Conte um passo a passo da sua pesquisa.
José Amilton de Souza: Primeiro, em termos de pesquisa, veio a escolha do tema (que tem a ver com sua empatia). Como eu já trabalhava com isso, enquanto gestor de planejamento urbano,  era um tema recorrente para mim. Depois, veio o fazer um mapa geopolítico da cidade, para compreender onde estavam os sucateiros e catadores, e como todos se inter-relacionavam.  Em uma terceira etapa, veio a montagem do projeto de perguntas e depoimentos, por meio de questionários. Ao longo da experiência, refiz a estratégia (como já falado em outra resposta). Depois, veio a transcrição das falas, feita exatamente como foi falado, inclusive com os erros de português, respeitando com ética a história oral.  Com os depoimentos em mãos, mais fontes imagéticas e outras fontes impressas e documentos oficiais, criei a trama que deu origem ao livro.   

Qual era o objetivo de sua pesquisa?
José Amilton de Souza: Uma denúncia da situação desses homens, mulheres e jovens, que trabalham nesta condição no mundo contemporâneo, onde se tem tecnologias de ponta, com carros avançados, mas também existem seres humanos puxando carrinhos.  E ao mesmo tempo, perceber como essas pessoas têm seus conhecimentos, sua cultura, e como fazem parte dela, embora passem muitas vezes despercebidos. Eles são, a seu modo, sujeitos da cidade. 

Destaque uma ou duas histórias de vida que mais lhe chamaram a atenção durante  sua pesquisa?
José Amilton de Souza: Tem a de uma senhora, aposentada, que tinha uma habilidade: como ela já tinha bastante idade, se fosse concorrer com outros catadores em busca de material, não teria forças. Então ela trabalhava à noite, e sabia do horário de todos os dias da coleta oficial da Prefeitura. Dona Helena Leopoldina então se antecipava, ia aos pontos dessa coleta, recolhia antes da coleta oficial e conseguia seu material. Era uma senhora que conhecia as políticas públicas da cidade, e se utilisava disso. Ela tinha a contribuição de duas crianças, seus netos, um com 8 e outro com 10 ou 11 anos, que a ajudavam a empurrar o carrinho. Essa foi a forma dela conseguir manter a família. A única renda deles vinha da coleta. Nessa realidade, percebi o quanto as pessoas têm conhecimento para conduzir a vida. 

Quais foram as suas descobertas?
José Amilton de Souza: Primeiro, acho que esse aprendizado coloca em cheque nossa arrogância acadêmica. Não sabemos tudo sobre a realidade. É um choque. A segunda descoberta é uma evidência, perceber que todos temos conhecimento, mesmo os analfabetos, que têm sua cultura popular e de sobrevivência. Eles acabam improvisando e de maneira criativa. Despertam estratégias de: como ganhar a vida catando ‘lixo’, de forma itinerante. É uma lição de vida, profunda. 

O que mudou da sua visão anterior sobre os catadores?
José Amilton de Souza: Eu tinha uma visão apurada sobre eles. Sempre tive uma vida ligada à cultura popular. Não mudou minha visão, mas essa vivência ajudou a reorientar e aprofundar pontos de vista, a repensar e reavaliar, além do aprendizado que tive com os catadores.

Para quem deseja fazer pesquisas nessa área o que indicaria?
José Amilton de Souza: Uma profunda sensibilidade social, empatia com o outro. Sem isso, o processo de aproximação fica difícil. É um tipo de pesquisa que exige que haja despojamento. 

Quais fontes usou na pesquisa?
José Amilton de Souza: Fontes orais, imagéticas (de jornal local e próprias), reportagens de jornal e documentos oficias. Apesar de ter pouca coisa, porque catadores, em sua maioria, são analfabetos. Basicamente o que eles têm para se representar é a voz. 

Quais foram os seus referenciais bibliográficos?
José Amilton de Souza: Uma quantidade imensa, mas principalmente autores franceses, como Michel de Certeau, e seu livro “A invenção do cotidiano”. Outro autor é Edward Paul Thompson, que tem uma coletânea, com que trabalhei, e um autor italiano, Alessandro Portelli, que trata da história oral como gênero. Usei muito ainda a revista Projeto História, da PUC SP, principalmente os textos de história cultural, social e oral. 

Como a sua pesquisa pode mudar o cenário sociológico, antropológico e histórico da região?
José Amilton de Souza: Uma pesquisa, tese ou livro contribuem, mas não têm o poder da mudança. Quem tem o poder de alterar essa realidade são as políticas públicas. A pesquisa ajuda a focar a discussão acadêmica, a pautar as reflexões, desde o meio acadêmico até o político institucional. Meu livro é de um tema não recorrente na época da pesquisa. Deve ser uma das pioneiras teses sobre os catadores na área de História. Antes a temática sempre esteve ligada à Psicologia, Serviço Social ou estudo de cooperativas. 

Como foi a transformação da pesquisa em um livro?
José Amilton de Souza: Muito tranquila. Minha trama e escrita têm muito a ver com minha atuação, de cultura e meio popular. Tenho certa compreensão que a leva para vários públicos, tanto acadêmicos quanto a um leitor com outros níveis. Todos eles conseguem ler. Em termos de formatação, praticamente apenas pequenos ajustes. 

E quais são os seus projetos futuros e pesquisas. 
José Amilton de Souza: É o projeto de um trabalho parecido, porém com panfleteiros, um grupo que tem mais mulheres. Gostaria de fazer um trabalho com depoimentos orais, em São Paulo. Os panfleteiros são um pessoal que vende sonhos, no caso daqueles que trabalham para o mercado imobiliário, com seus lançamentos, mas que ao mesmo tempo está numa condição precária, tem remuneração baixa e trabalhando nos fins de semana. Mas, vou ter de adiar,  pois neste momento sou  professor da UNIFESSPA, e acabo de assumir a Vice-Diretoria da Faculdade de História  da UNIFESSPA. 



*É jornalista, pesquisadora, cientista social, historiadora. Formada em jornalismo pela Universidade Metodista, com formação em ciências sociais pela universidade de São Paulo USP e Direito pela Universidade Mackenzie, tem especialização em Fundamentos e Artes pelo Instituto de Artes da UNESP de São Paulo e Mestre em história pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo PUC de São Paulo. É autora do livro Abre as portas para os Santos Reis da Editora Fundação Pró-Memória, Animais nas Batalhas pela editora Matrix e Os benzedores que benzem com as mãos da editora UCG.

(ESSE TEXTO NÃO PODE SER COPIADO SEM OS DEVIDOS CRÉDITOS DE AUTORIA, CONFORME A LEGISLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS LEI 9610, de 19 de fevereiro de 1998, "Dos Direitos Morais do Autor", Artigo 24, Inciso II. POR FAVOR, NÃO COPIEM, COMPARTILHEM O LINK. OBRIGADA)  


Fonte: O livro das curiosidades de São Caetano do Sul, Priscila Gorzoni




Crônicas urbanas

Um passeio de ´índio` no Dia das Mães
Por: Priscila Gorzoni



A minha irmã já havia dito que seria um passeio de ´índio`ir  na véspera do Dia das Mães ao shopping Park da Cerâmica.
Mas não tinha jeito aquele era o último dia da promoção de uma massagem que eu havia ganho e dado a ela.
Então fomos.
Eu sempre achei uma grande bobagem e uma jogada comercial e de marketing essas comemorações de Dia das Mães, Dia dos Pais, Dias das Crianças, entre outros.
Para mim todos os dias é o Dia das Mães e todo dia devemos tratar bem nossos pais e as pessoas com quem dividimos o planeta.
Por isso acho uma hipocrisia algumas pessoas festejarem o Dia das Mães sendo que alguns até tratam suas mães no dia a dia mal.
Em casa sempre presenteamos a nossa mãe com carinho, atenção, respeito e esses para mim são os maiores presentes.
Mas no mundo capitalista qualquer data se transforma em uma desculpa para gastar dinheiro. Qualquer data e as pessoas se tornam meros objetos e mercadorias. Pessoas se vendem por presentes e pessoas ganham as outras com mercadorias.
Para quem não sabe prestar homenagem às mães é uma tradição muito antiga. Na Grécia existia uma feste em honra à Réia, a mãe dos deuses. Já os romanos faziam uma grande festa no inicio de março chamada Matronalia. Na Idade Média os ingleses celebravam o Motherning Day. As pessoas mais pobres moravam na casa de seus patrões e ficavam longe de suas próprias casas.
A data que conhecemos hoje de dia das mães foi uma invenção moderna. Uma jovem professora americana chamada Anna M. Jarvis perdeu sua mãe em 1905 e entrou em completa depressão. Preocupadas com o estado de saúde de Anna algumas amigas tiveram a ideia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Mas Anna queria que a festa fosse estendida a todas as mães vivas ou mortas. O grupo passou a escrever para políticos e empresários pedindo a criação dessa data. Em 1908, algumas igrejas de sua cidade, Grafton, Virgínia e da Filadélfia, onde Anna já tinha morado, escolheu a data do dia 10 de maio para a data do aniversário da morte da senhora Jarvis.
Em 1910, a Virgínia foi o primeiro estado a festejar oficialmente o Dia das Mães.
No Brasil, a primeira comemoração do Dia das Mães foi promovida pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre (RS), no dia 12 de maio de 1918 e a data foi oficializada pelo presidente Getúlio Vargas por um decreto de 1932.
Mas voltando ao passeio de ´índio`na véspera do dias da mães, não preciso dizer que o Shopping estava cheio, parecia um formigueiro em que as formigas eram as pessoas.
Pessoas de todas as idades, tamanho, sexo se acotovelavam nos corredores das lojas, do shopping.
O único local que tinham um ambiente de razoável paz era a loja da massagem oriental.
Por incrível que pareça encontramos um bom lugar rápido para estacionar, foi pura sorte mesmo. Assim que entramos em um dos corredores do estacionamento nos deparamos com uma mulher tirando o carro. Deu certinho.
Mas assim que entramos no shopping uma multidão de pessoas com os olhares perdidos nas vitrines andava de um lado para o outro sem saber realmente o que desejavam.
Shopping é o tipo de lugar que me entedia. Após no máximo 20 minutos já estou exausta querendo ir embora. Esse paraíso do consumo não tem luz solar e tudo em seu interior é artificial. Eu sempre fico com uma sensação de sonambulismo.
As vitrines exibem exatamente as mesmas roupas embora sejam lojas diferentes. As roupas expressam a falta de criatividade que a moda vive.
Essa mesmice é observada nas mulheres e homens que andam sem destino pelos corredores desse ambiente artificial chamado shopping.
Para o meu azar eu teria que esperar meia hora a massagem da minha irmã e o que fazer nesse tempo?
Quando olhei para o formigueiro de consumistas se acotovelando fora da loja de massagens desanimei. Só de olhar já me estressei. Então pensei, não vou muito longe, ando em algumas lojas próximas até porque costumo me perder em shoppings.
Então entrei em uma loja, depois entrei em outra e sinceramente nada se destacava de diferente. As roupas eram iguais, só mudavam as cores. Era como se existisse uma loja única com nomes diferentes. Mas tudo era igual, padronizado, normatizado. E as pessoas que olhavam as roupas e andavam pelos corredores também eram iguais, se vestiam de maneira semelhante, faziam gestos semelhantes e consequentemente devem comprar coisas semelhantes.
Nada me agradava.
Entrei no que me pareceu a salvação, a livraria. Mas ali também tinha um formigueiro que mal permitia se ver os livros.
A minha irmã tinha toda a razão era um passeio de ´índio`e por sorte o tempo passou rápido, a massagem dela acabou e fomos embora.
Com uma sensação estranha, a sensação dos paraísos artificiais, a sensação de absoluto vazio, vazio próprio dessa nossa época, dos lugares dessa nossa época.

(ESSE TEXTO NÃO PODE SER COPIADO SEM OS DEVIDOS CRÉDITOS DE AUTORIA, CONFORME A LEGISLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS LEI 9610, de 19 de fevereiro de 1998, "Dos Direitos Morais do Autor", Artigo 24, Inciso II. POR FAVOR, NÃO COPIEM, COMPARTILHEM O LINK. OBRIGADA)  




Fonte:


terça-feira, 10 de maio de 2016

Lugares assombrados
A mata da viúva 
Por: Priscila Gorzoni 



Mais tarde, nos anos 40 quem assustava era a Mata da viúva. Não tinha menino da Vila Paula e outros bairros de São Caetano que deixassem de procurar ossos de vaca, bezerro e de outros animais para serem vendidos como botões. Mas era preciso ter coragem, pois os ossos ficavam na Mata da Viúva, que era mal assombrada pela viúva, não se sabia bem o porque apenas que a tal mulher corria atrás das crianças. O local abrangia as Vilas Giselda, Aurora e Júlia e a viúva era Santa Scolá falecida em 1966.

(ESSE TEXTO NÃO PODE SER COPIADO SEM OS DEVIDOS CRÉDITOS DE AUTORIA, CONFORME A LEGISLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS LEI 9610, de 19 de fevereiro de 1998, "Dos Direitos Morais do Autor", Artigo 24, Inciso II. POR FAVOR, NÃO COPIEM, COMPARTILHEM O LINK. OBRIGADA)  

Imagem: http://www.fpm.org.br/admin/imagens/noticias/bairro6/Jardim%20S%C3%A3o%20CaetanoFoto%20002_corte.jpg


Fonte: O livro das curiosidades de São Caetano do Sul, Priscila Gorzoni



Fontes:

A população do Núcleo Colonial em 1877 Por: Priscila Gorzoni  Você sabia? Em 1888 já havia no Núcleo Colonial (primeira formação de...