terça-feira, 5 de julho de 2016

As personalidades de São Caetano do Sul
Padre Venceslau Francisco Krokosz: Histórias do pároco da Igreja Ortodoxa Ucraniana de São Caetano do Sul
Por: Priscila Gorzoni


 


Os ucranianos chegaram ao Brasil em 1891. Entre os anos de 1922 e 1930, vários deles, vitimas da guerra contra os comunistas, foram assentados em São Paulo. Muitos escolheram São Caetano do Sul para viver. Foi por isso criada a Sociedade União Popular Ucraniana, que passou por várias mudanças de nome ao longo dos anos.

Entre 1946 e 1949, chegou ao país a última leva de 1,5 mil famílias ucranianas vindas dos campos de Deslocados da Segunda Guerra Mundial. Aqui eles se uniram aos membros da colônia já existente na cidade e formaram a Sociedade Ucraniana Unificada no Bairro da Fundação. A mudança do estatuto da entidade aconteceu em 1977. Ela foi necessária para que os membros brasileiros pudessem participar também.
           
Vários aspectos são importantes na cultura ucraniana, entre eles está a religião. Durante os primeiros anos de vida dos ucranianos em São Caetano do Sul, não existia uma igreja própria. Por isso, eles se reuniam em casa ou na Igreja Matriz do Bairro da Fundação. Atualmente existem duas Igrejas ucranianas em São Caetano. A Igreja Ortodoxa Autocéfala Ucraniana Paróquia São Valdomiro, que fica na Rua Dos Ucranianos, foi inaugurada no dia 11 de janeiro de 1953. A outra é a Igreja ortodoxa Autocéfala Ucraniana - Paróquia Proteção da Santíssima Virgem, que se localiza Rua Oriente, foi criada em 1951.
  
            Quem comanda por muito tempo as Paroquias São Valdomiro e a Paróquia da Santíssima Virgem foi o Padre Venceslau Francisco Krokosz, 46 anos, Gerente da Divisão de Transportes da Secretaria de Transportes e Trânsito de Guarulhos. Ele assumiu as duas comunidades ucranianas de São Caetano do Sul, em 2006. 





Krokosz nasceu em Ivaí, no interior do Paraná e permaneceu por lá até os 13 anos. Depois morou em vários lugares até chegar a São Caetano, onde mora atualmente. Em 1980 seguiu para o Seminário em Prudentópolis, no Paraná. Até 1996, período de seus estudos, residiu em Ivaí e Curitiba. De 1997 a 2005 morou em São Paulo, na Vila Bela e, a partir de 2006, mudou-se para São Caetano do Sul.

Padre Venceslau veio para São Paulo em 1997 com o intuito de estudar Licenciatura Plena em História e Filosofia Pela USP e Mestrado Latu Sensu na Área de Filosofia da Ciência pela PUC-SP, e atender a comunidade Ucraíno-católica no Bairro Vila Bela, em São Paulo, SP. Ele próprio nos conta sua trajetória de vida.

“Fui ordenado Sacerdote em 1996 na cidade de Ivaí, neste ano de 2014 completo 18 anos de sacerdócio. Sou de berço católico romano. Saí de casa aos 13 anos e fui estudar no Seminário São José em Prudentópolis no ano de 1980. Lá cursei o ensino médio e fundamental. Em seguida fiz 2 anos de Noviciado na cidade de Ivaí que é uma espécie de preparação dos candidatos para a vida sacerdotal. Cursei Teologia em Curitiba. Se levar em conta todos estudos desde o início em 1980 até a Ordenação, são 16 anos. Logo após a ordenação em 1997 fui designado pelo meu Bispo (Dom Efraim Krevei – in memória) para atender a comunidade Ucraíno católica em São Paulo onde permaneci como Vigário até o ano de 2005”, relata.

O chamado vocacional para o sacerdócio aconteceu na infância, por volta dos 7 anos, quando brincava de celebrar missas dentro de casa. Venceslau gostava de ensaiar suas missas do alto de uma grande pedra. “Aos 13 anos decidi, com apoio dos meus pais, seguir o caminho religioso. Foi em 2005 que decidi pedir afastamento da Igreja Católica Romana e passei a atender à Igreja católica ortodoxa ucraniana. O motivo principal para tomar tal decisão foi o de não aceitar a maneira que o celibato é apresentado na Igreja católica romana. Eu era rodeado de muita gente e ao mesmo tempo, quando me recolhia para o meu quarto me sentia um solitário. No momento em que constitui família, tudo mudou. Minha esposa se chama Zélia, temos 2 filhas e um filho: Manuela, Sofia e Igor com 8 anos, 3 anos e 2 meses, respectivamente. Hoje exerço o Ministério Sacerdotal, mas quando fecho as portas da Igreja tenho uma família maravilhosa que me apoia em todas as iniciativas. Sou um padre muito mais feliz que antes”, assegura.

Krokosz exerceu o sacerdócio por 9 anos na Igreja Católica Romana e agora já são 7 anos na Igreja Católica Ortodoxa. Mas explica que em relação ao trabalho pastoral não há diferença nas atividades. “O padre é vocacionado para levar a Boa Nova aos fiéis e atendê-los em suas necessidades. Pode-se dizer que a pedagogia religiosa é basicamente a mesma. O que difere são os ritos, alguns dogmas e principalmente em relação à  vida particular do padre, já que na igreja ortodoxa os padres são casados,” relata.
A rotina de Padre Venceslau não é fácil. Ele se levanta todos os dias às 3 horas, chega ao serviço às 4 horas e sai às 13 horas e 30 minutos. A tarde se dedica a atender a comunidade de São Caetano. Suas funções são variadas, faz das celebrações dos sacramentos até as visitas aos doentes nos hospitais.
Entre as dificuldades da Igreja Ortodoxa está nas gerações atuais, que nasceram no Brasil, terem problemas com o idioma e por isso às vezes relutarem em tomar parte nas celebrações e atividades. Para solucionar isso Krokosz realiza as celebrações em português. 
Durante as duas principais festas religiosas ucranianas a Páscoa e o Natal, a comunidade se reúne, em peso. Lembrando que os ortodoxos seguem o calendário Juliano e não o Gregoriano, portanto, o Natal é celebrado no dia 07 de janeiro. “Tenho vontade de começar um trabalho para atrair pessoas não descendentes de ucranianos para também participarem das celebrações”, explica.

A comunidade ucraniana de São Caetano é muito atuante. Apesar de pequena, ela possui um grupo de danças típicas e promove todos os anos seus encontros e celebrações. “A maioria é remanescente da II Guerra Mundial que após o seu término se encontrava na Alemanha e vieram para o Brasil. Temos uma média de 30 pessoas participando em cada comunidade. Entre eles alguns frequentadores com mais de 90 anos, como: Pedro Krivcun , Nadia Panczenko, Halyna Harkavenko, Catarina Kulaiew, Efrosina Kalinovicz”, finaliza. 

(ESSE TEXTO NÃO PODE SER COPIADO SEM OS DEVIDOS CRÉDITOS DE AUTORIA, CONFORME A LEGISLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS LEI 9610, de 19 de fevereiro de 1998, "Dos Direitos Morais do Autor", Artigo 24, Inciso II. POR FAVOR, NÃO COPIEM, COMPARTILHEM O LINK. OBRIGADA)  




Fonte: O livro das curiosidades de São Caetano do Sul, Priscila Gorzoni





Referências bibliográficas:

Caminhos da Fé: itinerário dos templos religiosos de São Caetano do Sul, Alexandre Toler Russo, Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, 2004.

*É jornalista, pesquisadora, cientista social, historiadora. Formada em jornalismo pela Universidade Metodista, com formação em ciências sociais pela universidade de São Paulo USP e Direito pela Universidade Mackenzie, tem especialização em Fundamentos e Artes pelo Instituto de Artes da UNESP de São Paulo e Mestre em história pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo PUC de São Paulo. É autora do livro Abre as portas para os Santos Reis da Editora Fundação Pró-Memória, Animais nas Batalhas pela editora Matrix e Os benzedores que benzem com as mãos da editora UCG.




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